
Ana Cristina Ridzi, Miss Marã, tinha 19 anos de idade. Maria Elizabeth Ridzi, Miss Bancremer-Banco de Crédito Mercantil, sua irmã gêmea, tinha 19 anos e 10 minutos de idade. Eram fisicamente idênticas, mas Ana Cristina obteve 97 pontos da comissão julgadora e foi eleita Miss Guanabara 1966, enquanto Maria Elizabeth, com 73 pontos, ficou feliz em ser a vice da irmã. Ana Cristina Ridzi tornou-se Miss Brasil e até hoje seu nome é lembrado com muito carinho, um carinho extensivo àquela que todos confundiam com ela, sua irmã Maria Elizabeth Ridzi.
No terraço do Hotel Serrador, enquanto o fotógrafo aciona sua máquina, Maria Elizabeth faz confidências sobre suas predileções: gosta de cinema, seu ator preferido é Sean Connery e admira Johnny Mathis. Seu perfume é Dioríssimo e suas principais leituras Ian Fleming e A.J.Cronin: o livro de que mais gostou foi Noites de Vigília. Acha Cardin extravagante e seu costureiro é Hugo Rocha, “além de mamãe, que é uma fábula”. Coleciona chaveiros e gosta de rosas amarelas. É maluca por feijoada (com pimenta) e, entre as brasileiras mais bonitas que conhece, cita Adalgisa Colombo. Quer casar e gostaria de ter quatro filhos. Se possível, gêmeos. Acha fabulosas as conquistas espaciais e gostaria de dar um passeio na Lua. Seu tipo favorito é o homem alto, moreno, de olhos azuis, igualzinho a um rapaz chamado Sérgio Roberto, de quem gosta muito e com quem pretende se casar, “se papai deixar”.
Quantas vezes foi confundida com a irmã? Dezenas, centenas de vezes. Quando estudavam juntas, na escola pública de Vilar dos Teles ou no Ginásio Santa Maria de São João do Meriti, as professoras e as freiras frequentemente trocavam as notas de comportamento das duas, que eram diferentes. Ana Cristina sempre foi mais extrovertida, mais explosiva, e Maria Elizabeth, mais meiga e mais quieta. No Banco de Crédito Mercantil, onde ambas trabalham, certo cliente ameaçou fechar a conta porque não foi cumprimentado na rua por uma delas: exatamente, ao contrário do que ele pensava, a que não o conhecia. Ao final do concurso, ao sair do Maracanãzinho, Maria Elizabeth foi obrigada a dar centenas de autógrafos antes que os colecionadores entendessem que Ana Cristina ainda estava nos camarins. Na segunda-feira seguinte, Miss Brasil estava exausta, mas tinha o compromisso de comparecer a uma solenidade em sua homenagem. Maria Elizabeth, com um sorriso, mandou-a descansar e foi. Os promotores da festa não sabiam, até hoje, que foi ela quem recebeu as homenagens pela irmã. Ficam sabendo agora (Fonte: Passarela Cultural).


Nenhum comentário:
Postar um comentário