Gina Macpherson, 20 anos de idade, filha de pai escocês e mãe norte-americana, educada em colégio de freiras, nascida em Niterói, estava atrás do balcão da agência de uma companhia de aviação, a BOAC, onde trabalhava como recepcionista, quando Marcílio Nunes, um dos diretores do Botafogo, convidou a bela morena de olhos verdes para disputar o título de Miss Guanabara.
VALE A PENA SER MISS?
Em 1966, Gina Macpherson morava no nordeste, precisamente em Natal, capital do Rio Grande do Norte, quando a revista MANCHETE fez a entrevista com ela para a série de reportagens "Vale a pena ser Miss?"
Casada com Ademar Garcia, Oficial da Marinha, mãe de dois filhos, Carla e Norman, e figura da alta sociedade potiguar, Gina Macpherson fez as declarações abaixo ao jornalista Andre Kallas, da MANCHETE.
Vale a pena, sim. Desde, porém, que o título não suba à cabeça da eleita. É uma experiência única na vida de qualquer moça. Se fosse necessário, venceria novamente a minha timidez e voltaria à passarela do Maracanãzinho para repetir tudo de novo. Se minha filha Carla, de três anos, quando crescer, quiser ser candidata a algum título de beleza e o pai não fizer objeção, eu não a impedirei. Pelo contrario, procurarei até orientá-la, pois essa orientação – como a que tive de minha mãe e de minha irmã Dorothy – é de maior importância, decisiva mesmo. É verdade que tive alguns aborrecimentos com jornalistas – alguns chegaram ao cúmulo de dormir na porta da minha casa, com o intuito de me vigiar - , mas tudo isso é irrelevante, e dos aborrecimentos daquela época não guardo lembrança nem rancor. Valeu a pena ser Miss, sim. Fui Miss Brasil há seis anos, e já faz tempo que estou fora do noticiário dos jornais e revistas. Pois bem, até hoje, quando vou à feira, aqui em Natal, todos olham para mim, reconhecem-me e me presenteiam com o melhor dos seus sorrisos. E isso é coisa que não tem preço.
Sei que é um chavão o que vou dizer, mas toda verdade tem um pouco chavão. E ai vai o meu : tudo parecia um conto de fadas. Um conto de fadas que começou exatamente quando desfilei pela última vez, já de maiô, e ouvi milhares de pessoas gritando por mim: Já ganhou! Já ganhou!
GINA MACPHERSON E O MISS UNIVERSO
A propósito do concurso Miss Universo, Gina Macpherson declarou :
Acho que nos Estados Unidos os concursos de beleza, seja qual for o ano ou a época, nunca fogem da rotina. Os americanos são organizados demais e tudo é muito quadradinho. E, na minha opinião, existe muita política na escolha da Miss Universo. Ganhou a norte-americana Linda Bement, mas existiam várias moças mais bonitas que ela. Eu estava preparada para qualquer resultado: acabei ficando em sexto lugar.
GINA MACPHERSON, FELIZ COMO NOS CONTOS DE FADAS
Ao voltar de Miami Beach, Gina começou a percorrer o Brasil de ponta a ponta. Foi a Vitória, Fortaleza, Recife e dezenas de outras cidades. Em Goiânia, um admirador ofereceu-lhe um presente dos mais estranhos, cujo significado até hoje não compreendeu: duas balas de revólver. Mas ganhou também numerosos outros presentes, menos insólitos, inclusive valiosas jóias, além de um prêmio de viagem à Europa oferecido pela companhia em que trabalhava. Um detalhe: por exigência de seu pai, a não ser no dia da eleição, nunca mais desfilou em maiô nas festas a que comparecia.
Gina Macpherson não cumpriu totalmente o seu reinado como Miss Brasil. No dia 26 de janeiro de 1961, sete meses após ter sido eleita a mulher mais bela do país, casou com Ademar Garcia, com quem havia tido um desentendimento na época do Miss Guanabara, por ele não concordar com sua participação no concurso.




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